Comecei este blog com um artigo sobre o fim do trabalho. Estávamos submergidos na crise mas nao até a cabeça e eu – juntando informaçao daqui e dali – dizia que era o fim de uma era de trabalho como até agora estávamos acostumados. Poucos meses se passaram e os que antes pensavam que no momento em que a cirse passasse tudo voltaria ao “normal” mudaram de idéia. El País publicou ontem uma materia extensa sobre o fim da classe média nos países desenvolvidos. Suas origens e consequencias. Eu como oriunda de um país do tercero mundo com uma classe média bem inconsistente, vim para a Espanha e agora vivo como o que eles chamam aqui de “mileurista”. Gente que vive com 1000 euros ao mês – agora nem isso, porque estou desempregada. Sao dados da pobreza que chega ao que antes era uma classe média acomodada. O fim do sonho da casa própria, entre outros, é apenas um sinal do enorme desencontro entre desenvolvimento e diminuiçao da desigualdade.
Tudo que se disse sobre aumentar o bolo para repartir estava errado. Hoje o bolo é muito maior, mas os que comem… Por sorte além da própria estrutura social mantida pelo estado aqui também há uma enorme e bem nutrida rede paralela de bem-estar, mantida pela Igreja Católica e outras instituiçoes. Porque graças a eles muitas famílas ainda tem o que comer. O resultado deste quadro tao catastrófico nao é nada alentador. Como no post sobre o fim do trabalho, a consequencia lógica é o aumento dos contratos temporarios, a aposentadoria antecipada de muitos que pensavam que iam trabalhar até os 70, a dificuldade mesma de encontrar qualquer trabalho fixo independente da formaçao.
Claro que isso faz com que algumas pessoas olhem o copo meio cheio. É a grande oportunidade de tomar conta da propria vida, trabalhar em casa, fazer coisas alternativas. Que ninguém tenha a ilusao de que assim vá alcançar a comodidade e o estilo de vida de um funcionário público. Até estes estao com os dias contados. Quem trabalha mais e com mais constancia, vai ter mais. Os novos campos sao infinitos e muitos estao baseados nas novas tecnologias da informaçao. De fato, enquanto alguns encontram na internet apenas um bom escape da negra rotina, o bons descontos para shows e viagens, outros com muito trabalho e dedicaçao encontram nela seu ganha-pao.
Muito se fala que o futuro aqui no “primeiro mundo” está baseado em I+D+i, quer dizer, pesquisa e inovaçao. E muita gente confunde isso com que só as empresas com alta tecnologia poderao nos salvar. Claro que os grandes investimentos devem ser nestes campos, porque o investimento inicial é muito alto, representa o que um dia foram as infra-estruturas como rodovias para o desenvolvimento da insdústria. Mas há um enorme campo onde os pequenos exércitos de um só homem também podem ter sucesso.
Nao é só a energia renovável que vai ter espaço, sao os e as artistas plásticos, fotógrafos, designers, bailarinos, cantores. É bem verdade que muita gente vai ter que aprender a viver dentro dos limites do bolsa-família mundial, porque afinal aqui todo mundo sabe que pobreza e exclusao social é sinônimo de violência. Mas quem quiser mais que migalhas e trabalhar muito por isto, também vai ter seu lugar ao sol.
Por isso este espaço, Agent of change, ou agentes da mudança, filhos do poderoso deus MU-dança da cançao do Gil. Gil dizia: talvez em paz mu-dança, talvez com sua lança. Que a lança seja qualquer instrumento que transforme a criatividade e materia.